A fome na infância e os impactos e traumas na vida adulta

A fome na infância é um dos motivos que podem causar impactos e traumas na vida adulta. De acordo com a Unicef, o consumo de alimentos saudáveis nos primeiros anos de vida é essencial para sustentar o crescimento adequado do corpo e cérebro, fazendo com que a criança atinja todo seu potencial de desenvolvimento.

Mas nem todas as crianças têm acesso a uma nutrição eficiente. De acordo com o relatório Situação Mundial da Infância 2019: Crianças, alimentação e nutrição, duas em cada três crianças entre 6 meses e 2 anos de idade, ao redor do mundo, não recebem alimentos necessários para o crescimento adequado.

O cenário é triste e gera impactos a longo prazo na vida dessas crianças. A subnutrição pode prejudicar severamente seus desenvolvimentos cerebrais, colocando-as em risco em vários sentidos, comprometendo sua aprendizagem, aumentando o risco de baixa imunidade que, consequentemente, pode causar mais infecções e, em muitos casos, levar a morte.

De acordo com o relatório, crianças e adolescentes das comunidades em maior situação de pobreza são as que mais vivem em situação de má nutrição. Apenas uma em cada cinco crianças de 6 meses a 2 anos das famílias em situação de pobreza tem uma alimentação diversificada para um crescimento saudável.

O mesmo estudo também apontou que desastres relacionados ao clima também causam graves crises alimentares. A seca, por exemplo, é responsável por 80% dos danos e perdas na agricultura, com isso os alimentos disponíveis para crianças e família mudam drasticamente, bem como a qualidade e o preço.

 

Fome na infância: cenário no Brasil

 

Com a pandemia, a extrema pobreza e a fome voltaram a ser ainda mais presentes no nosso país. A crise ocasionada pelo coronavírus não foi apenas sanitária, mas também socioeconômica – e seus efeitos vão continuar afetando a sociedade mesmo após o controle do vírus. Saiba mais no artigo “O que o Brasil pós pandemia reserva para crianças em situação de vulnerabilidade”

No nosso país, depois de uma década em declínio, a fome voltou a crescer. Antes mesmo da pandemia, entre  2017 e 2018, o IBGE apontou que a insegurança alimentar grave atingia mais de 10 milhões de brasileiros.

Em 2014, o Brasil saiu do Mapa da Fome. Mas, em 2018, obteve seus piores índices desde 2004. De acordo com Daniel Balaban, chefe do escritório brasileiro do Programa Mundial de Alimentos (WFP, na sigla em inglês), a maior agência humanitária da ONU, o Brasil caminha passos largos para voltar a ter a fome muito presente em seu território.

Uma reportagem da CNN, de abril de 2021, apontou que, além da pandemia, a inflação também é um dos motivos que podem colocar o Brasil novamente no levantamento da ONU – que aponta os países que tem a  subalimentação atingindo 5% ou mais de sua população. Atualmente, a projeção indica que o Brasil deve estar próximo dos 9,5%.

Nesse sentido, vivemos uma grave situação, especialmente para as crianças e adolescentes que, como já apontado acima, necessitam de uma alimentação eficiente para o seu crescimento saudável.

 

Por que a infância influencia a vida adulta?


 

Não é somente a fome na infância que deixará marcas na vida adulta. Todas as experiências vivenciadas nos primeiros anos de vida, sejam elas boas ou ruins, ficarão marcadas de alguma forma pela criança. Isto se dá porque o cérebro está ainda em formação e funciona como uma esponja, absorvendo tudo.

Como a criança não tem discernimento para entender o que é bom ou ruim, ela apenas absorve tudo que acontece ao seu redor. A depender das suas vivências, essa criança pode desenvolver, na vida adulta, uma série de distúrbios psicológicos

Aquelas que crescem em um ambiente agressivo, por exemplo, vão entender que esse tipo de comportamento é normal quando atingir a vida adulta. Entenda mais sobre violência na infância no artigo: “Quais os principais impactos causados pela violência contra crianças e adolescentes?”.

Uma situação de privação alimentar também ocasiona uma série de sequelas emocionais negativas a longo prazo. Mas, para além das questões psicológicas, o desenvolvimento físico de uma criança também irá afetar sua qualidade de vida como adulto. No caso da fome, esta pode ocasionar doenças e carências nutricionais a curto e longo prazo.

Isso ocorre pois a ausência de comida  muda todo o metabolismo da criança, influenciando o funcionamento e tamanho dos órgãos. Mas não só: como já dito no início desse artigo, a fome na infância ainda pode levar à morte, pois o organismo fica mais suscetível a diversas doenças.

Outro ponto é a dificuldade de realizar tarefas simples, complicando o desenvolvimento cogntivo de maneira adequada, afetando significativamente o desempenho escolar.

 

Promover a nutrição saudável das crianças é tarefa de todos


 

Segundo estudo do Unicef, governos, setor privado, doadores, pais, famílias e empresas que ajudam as crianças no crescimento saudável precisam:

  • Ser capacitados para entender o que são alimentos adequados e saudáveis e desta forma, exigir o consumo dos mesmos, inclusive melhorando a educação nutricional.
  • Insistir que os fornecedores de alimentos façam o que é certo para as crianças, incentivando o abastecimento de alimentos saudáveis.
  • Construir um ambiente nutricional saudável para crianças e adolescentes mostrando, por meio de rótulos, os benefícios ou malefícios de determinados itens. Além disso, aumentar o controle sobre comercialização de alimentos não-saudáveis.
  • Mobilização de sistemas e apoio – saúde, água e saneamento, educação e proteção social – para melhorar a alimentação e a nutrição de todas as crianças.
  • Por fim, coletar e analisar dados e evidências de qualidade para orientar as ações e acompanhar o progresso.

 

Como você pode ajudar a acabar com a fome na infância?

 

Há muitas ONGs que desenvolvem programas e projetos que auxiliam no desenvolvimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.

A fome é um dos problemas sociais que avassalam famílias que vivem em pobreza ou extrema pobreza. Para elas são violados vários direitos, em especial para as crianças nessa situação, como abordamos neste artigo. Por isso, é preciso um trabalho contínuo e consistente com a criança e o adolescente, assim como todos que estão à sua volta.

O ChildFund Brasil é uma agência de desenvolvimento social que desde 1966 trabalha em projetos e programas para crianças, adolescentes, jovens, famílias e as comunidades. Criando ambientes de proteção, cuidado e empoderamento dos pequenos.

O programa de apadrinhamento é a melhor forma de investir na transformação da vida de uma criança. Desta forma, ela tem a oportunidade de viver uma infância feliz e segura para se desenvolver e se transformar em um adulto saudável, responsável e um agente de mudanças.

Por meio do seu apoio, podemos desenvolver uma serie de projetos que visam promover  a segurança alimentar e nutricional infantil, bem como para encontrar soluções para o combate à fome.

Nesse sentido, firmamos uma parceria com o Centro de Excelência contra a Fome do World Food Programme (WFP), onde  divulgamos campanhas de doação de alimentos para famílias afetadas, realização de campanhas de conscientização e mobilização sobre produção sustentável, soberania alimentar e promoção da segurança alimentar e nutricional, bem como eventos, seminários e conferências, além do apoio a projetos sociais.

Se você quer contribuir para a mudança das nossas crianças a adolescentes, apadrinhe.  Sendo um padrinho, você acompanha todo o desenvolvimento de uma criança assistida pelo ChildFund Brasil e ajuda a mudar a sua vida. Saiba mais aqui. Sua atitude pode salvar vidas!

ChildFund Brasil

O ChildFund Brasil é uma organização de desenvolvimento social que por meio de uma sólida experiência na elaboração e no monitoramento de programas e projetos sociais mobiliza pessoas para a transformação de vidas. Crianças, adolescentes, jovens, famílias e comunidades em situação de risco social são apoiadas para que possam exercer com plenitude o direito à cidadania.

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