Fome estrutural: uma ameaça cada vez mais presente

Em 2019, 47,7 milhões de pessoas na América Latina e no Caribe viviam com fome, o equivalente a 7,4% da população. Até 2030, de acordo com a FAO, organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura, a fome poderá afetar 67 milhões de pessoas em nosso continente. Com a pandemia, a fome estrutural (ou fome crônica) aumentou 5 vezes em todo o mundo.

Mas o que é fome crônica? De forma resumida, a fome estrutural, ou crônica, é um estado de subnutrição de longa duração, constante. Nessa situação, muitas vezes se vive apenas para garantir a próxima refeição. Por ser permanente, o indivíduo não tem energia suficiente para a manutenção do seu organismo e para o desempenho de suas atividades cotidianas.

Esse tipo de fome está conectada com a pobreza e a extrema pobreza, já que as pessoas simplesmente não têm dinheiro suficiente para comer, ter acesso a água potável ou cuidados com a saúde.

Para se ter uma ideia, além dos 47,7 milhões já citados em situação de fome, outros 191 milhões (ou seja, um em cada três latino-americanos) se encontravam em situação de insegurança alimentar moderada ou grave em 2019.

No final de 2020, organizações alertaram que mais de 120 milhões de pessoas poderiam ser colocadas em situação de insegurança alimentar, consequência direta da conjuntura social e econômica causada pela pandemia. Dentre os países com maior índice de fome estão Brasil, Índia e África do Sul.

As informações são de uma reportagem da Latin American Business Stories.

Insegurança alimentar

A fome estrutural também pode ser chamada de insegurança alimentar grave. Nas palavras do IBGE, é “quando os moradores passaram por privação severa no consumo de alimentos“.

Mas também há preocupação com as inseguranças alimentares leves e moderadas, especialmente em momentos de maiores instabilidades econômicas e sociais – caso da pandemia.

A insegurança leve acontece quando a família não tem certeza se terá acesso a alimentos no futuro, e quando a qualidade da comida já é ruim. Nesses casos, os moradores precisam elencar estratégias para terem uma quantidade mínima de alimentos disponíveis, como por exemplo trocar um alimento por outro mais barato.

Já a insegurança moderada surge quando os moradores já têm uma quantidade restrita de alimentos, com menos comida armazenada do que o necessário.

De acordo com o IBGE, a insegurança alimentar grave no Brasil é registrada principalmente em áreas rurais: 23,3% da população urbana passam fome, enquanto  40,1% da população rural atravessam a mesma situação.

Os dados mostram que, em setembro de 2020, 10,3 milhões de brasileiros passavam fome, com um aumento de 3 milhões de pessoas sem acesso normal a refeições em 5 anos.

Os dados são de uma reportagem da BBC Brasil

Crianças e adolescentes

Ainda citando os dados do IBGE, na infância e adolescência (fases que requerem uma série de cuidados para o pleno desenvolvimento) os índices também são alarmantes.

Das crianças com menos de 5 anos, 6,5 milhões delas (metade do total), vivem em lares com algum grau de insegurança alimentar. Já em insegurança alimentar grave, são 5,1% das crianças com menos de um ano e 7,3% das crianças e adolescentes entre 5 e 17.

Quando uma criança não têm o que comer, isso afeta o seu desenvolvimento e causa impactos que podem durar por toda a vida.

Saiba mais no artigo “A fome na infância e os impactos e traumas na vida adulta”.

Pandemia

Como já dito acima, situações de instabilidade econômica e social afetam ainda mais aqueles que vivem em insegurança alimentar.

De acordo com a FAO, Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura, a pandemia atinge especialmente as populações e territórios mais vulneráveis, onde há um maior número de empregos informais, fazendo com que os rendimentos sejam mais baixos e os alimentos saudáveis ​​mais escassos.

Por isso, é primordial abordar o problema da saúde alimentar e nutricional, fomentando intervenções multidimensionais que abordem as várias causas da desnutrição de forma integrada e que ofereçam uma resposta coordenada em várias dimensões.

É preciso que as políticas públicas se voltem para a fome estrutural, especialmente neste momento tão crítico de pandemia.

O que você pode fazer para ajudar?
 

Você pode ajudar ao contribuir financeiramente com ONGs que atuam diretamente no apoio a famílias em situação de pobreza e extrema pobreza, e até mesmo apadrinhando uma criança e fomentando uma mudança sustentável em sua família e comunidade a curto e longo prazo.

Além disso, é primordial se informar sobre a situação da fome no mundo e no Brasil, cobrando políticas públicas eficientes que alterem essa realidade multidimensional. No nosso blog, você pode ler artigos atualizados sobre uma série de temas  relacionados a essas problemáticas. Cidadãos bem informados são parte da mudança.

No caso do apadrinhamento, temos alguns artigos que explicam melhor como ele funciona. Você pode ler aqui e aqui.

De uma forma resumida, os padrinhos e madrinhas ajudam na manutenção de um fundo coletivo que financia a realização de projetos sociais e atividades das quais a criança e sua família participam, dando a milhares de famílias a possibilidade de uma mudança significativa.

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ChildFund Brasil

O ChildFund Brasil é uma organização de desenvolvimento social que por meio de uma sólida experiência na elaboração e no monitoramento de programas e projetos sociais mobiliza pessoas para a transformação de vidas. Crianças, adolescentes, jovens, famílias e comunidades em situação de risco social são apoiadas para que possam exercer com plenitude o direito à cidadania.

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