Insegurança alimentar: fome volta a crescer no Brasil e prejudicar as nossas crianças

A crise econômica que o Brasil vem enfrentando nos últimos anos teve um impacto negativo nos índices de fome e insegurança alimentar. Depois de mais de uma década em declínio, a fome voltou a crescer, atingindo mais de 10 milhões de brasileiros, entre 2017 e 2018 — o correspondente a 5% da população brasileira, de acordo com o IBGE. Com a pandemia, a situação pode ter se agravado ainda mais.

A melhora registrada ao longo de uma década tirou o Brasil do Mapa Mundial da Fome em 2014, segundo relatório global divulgado à época pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O Brasil foi um dos destaques do relatório daquele ano, mas agora corre sério risco de voltar a compor o mapa.

De acordo com Daniel Balaban, chefe do escritório brasileiro do Programa Mundial de Alimentos (WFP, na sigla em inglês), a maior agência humanitária da ONU, o Brasil caminha passos largos para voltar a ter a fome muito presente em seu território.

A estimativa é de que cerca de 5,4 milhões de pessoas – a população da Noruega e mais do que a população do Uruguai – passem para a extrema pobreza em razão da pandemia. O total chegaria a quase 14,7 milhões até o fim de 2020, ou 7% da população, segundo estudos do Banco Mundial.

Uma reportagem da BBC denunciou que, em 2019 (mesmo antes da pandemia) a situação já era grave no Brasil, com a identificação de novos casos de crianças subnutridas de forma extrema no Brasil.

Saiba mais sobre os impactos da Covid-19 na vida das famílias em situação de vulnerabilidade no Brasil.

Insegurança alimentar

Além da fome, que é a situação mais grave da insegurança alimentar, os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018: Análise da Segurança Alimentar no Brasil demonstraram que uma enorme parcela das famílias brasileiras passou por alguma situação de privação alimentar no período.

No período analisado, dos 68,9 milhões de domicílios do país, 36,7% estavam com algum nível de insegurança alimentar, atingindo, ao todo, 84,9 milhões de pessoas.

Podemos classificá-la em três tipos: leve, moderada e grave.

  • Na leve, há preocupação ou incerteza quanto acesso aos alimentos no futuro e qualidade inadequada dos alimentos devido a estratégias que visam a não comprometer a quantidade de alimentos.
  • Na moderada, há uma redução quantitativa de alimentos entre os adultos, rompendo os padrões de alimentação por conta da falta de alimentos.
  • Já na grave, há uma redução quantitativa severa na disponibilidade de alimentos entre todos os moradores. Essa é a situação em que a fome ocorre.

Na comparação com 2013, a última vez em que o tema foi investigado pelo IBGE, essa problemática aumentou 62,4% nos lares do Brasil.

E a insegurança alimentar é sentida ainda mais nas áreas rurais do Brasil, com o índice que chega a 7,1% nessas localidades. Nas áreas urbanas é de 4,1%.

A situação mostrou-se mais grave nas regiões Norte e Nordeste. No Norte, por exemplo, em 10,2% dos domicílios havia insegurança alimentar, seguido pelo Nordeste (7,1%). O percentual era menor no Sul (2,2%) e Sudeste (2,9%).

Crianças

A pesquisa também apontou que pelo menos metade das crianças menores de cinco anos viviam em lares com algum grau de insegurança alimentar. São 6,5 milhões vivendo sob essas condições e, onde há efetivamente a restrição de alimentos, há uma maior chance de desnutrição.

Em lares onde há insegurança leve ou moderada, por exemplo, as consequências também passam pelo sobrepeso, quando há aumento no consumo de alimentos de alta densidade energética e baixo custo, impossibilitando que as famílias mantenham uma dieta diversificada e saudável.

A falta do arroz e feijão (e outros alimentos ricos em nutrientes) e a substituição por alimentos industrializados também causam carência de uma série de vitaminas e minerais essenciais ao corpo, que podem ocasionar doenças e carências nutricionais a curto e longo prazo.

De uma forma geral, a fome e a desnutrição podem deixar sequelas para toda a vida, já que a ausência de comida pode muda todo o metabolismo da criança e influenciar o funcionamento e tamanho dos órgãos. Mas não só: podem ainda levar à morte, pois a carência de nutrientes no organismo o deixa mais suscetível a diversas doenças.

Outro ponto é a dificuldade de realizar tarefas simples, complicando o desenvolvimento conectivo de maneira adequada. Para as crianças, isso afeta significativamente o desempenho escolar.

Isso não quer dizer, no entanto, que não seja possível minimizar esses danos nem proporcionar uma vida plena a essas crianças — principalmente se as intervenções ocorrerem cedo, quando a chance de eficácia é maior.

Como você pode ajudar

A segurança alimentar é condição necessária para o bem-estar físico, social e mental dos cidadãos, especialmente as crianças, que estão em fase de desenvolvimento.

Nós, do ChildFund Brasil, firmamos uma parceria com o Centro de Excelência contra a Fome do World Food Programme (WFP) para promover a segurança alimentar e nutricional infantil, bem como para encontrar soluções para o combate à fome.

A parceria surge em um momento em que as duas instituições estão engajadas em ações de apoio a famílias vulneráveis nas áreas mais afetadas pela pandemia da Covid-19.

Por meio desse trabalho conjunto, são divulgadas campanhas de doação de alimentos para famílias afetadas, realização de campanhas de conscientização e mobilização sobre produção sustentável, soberania alimentar e promoção da segurança alimentar e nutricional, bem como eventos, seminários e conferências, além do apoio a projetos sociais.

Também realizamos, durante o ano de 2020, a campanha “Nem vírus, nem fome: compaixão”, que auxiliou e segue auxiliando mais de 30 mil famílias com a doação de kits alimentícios e de higiene, em um momento em que o desemprego e a insegurança alimentar se tornaram ainda mais presentes.

Compostos de itens básicos para a alimentação e higiene das famílias, já foram entregues 117.914 mil kits, totalizando mais de 1.300 toneladas de alimentos e 1,7 milhão itens de higiene, em 56 municípios em 6 estados.

É possível ampliar o número de famílias atendidas com a sua ajuda, com a doação de kits no valor de R$ 30, R$ 70 e R$ 100. Clique aqui e ajude!

Você pode, ainda, fazer a diferença por meio do apadrinhamento, que consiste em uma contribuição mensal. Sendo um padrinho, você acompanha todo o desenvolvimento de uma criança assistida pelo ChildFund Brasil e ajuda a mudar a sua vida.

Hoje, o nosso trabalho é presente em 698 comunidades, auxiliando em 188 projetos sociais que impactam positivamente mais de 114 mil pessoas;

Saiba mais em https://www.childfundbrasil.org.br/.

ChildFund Brasil

O ChildFund Brasil é uma organização de desenvolvimento social que por meio de uma sólida experiência na elaboração e no monitoramento de programas e projetos sociais mobiliza pessoas para a transformação de vidas. Crianças, adolescentes, jovens, famílias e comunidades em situação de risco social são apoiadas para que possam exercer com plenitude o direito à cidadania.

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