Fundo Cristão para Crianças - Afiliado ao ChildFund International

A voz das crianças


Uma das principais diretrizes programáticas do ChildFund Brasil é construir o futuro ouvindo a voz das crianças. Aqui você vai conferir, por meio de fotos, desenhos e depoimentos o que elas pensam sobre; o contexto em que vivem; suas próprias vidas, e sobre os sonhos para o futuro.

Atualmente o ChildFund Brasil apoio direta e indiretamente cerca de 120 mil crianças, adolescentes e jovens em situação de privação, exclusão e vulnerabilidade social. Essas crianças vivem em comunidades urbanas e rurais, localizadas em Minas Gerais, Rio Grande do Norte, Ceará e Pernambuco.

 

Entenda melhor os conceitos de privação, exclusão
e vulnerabilidade e o que as crianças dizem sobre isso:

 

Privação

 

As situações de privação de crianças e adolescentes no Brasil são diversificadas.  Ainda há insuficiente acesso ao saneamento básico e aos serviços de promoção, proteção e recuperação da saúde. A falta e o pouco acesso a renda familiar agravados pelo desemprego e a pouca qualificação profissional, dificultam o acesso a alimentação adequada e comprometem a segurança alimentar de milhares de crianças. Elas ainda sofrem com condições inadequadas de moradia e sobrevivência, nas periferias das regiões urbanas e em comunidades rurais distantes dos grandes centros.

A educação infantil é penalizada pela oferta irregular de creche e pré-escola, infra-estrutura deficitária e desqualificação dos educadores infantis. Adolescentes e jovens também sofrem com a o despreparo curricular e desmotivação dos professores, em função do pouca investimento e valorização profissional. Apesar de existirem iniciativas governamentais para estimular o acesso à universidade, este ainda é um sonho, realidade distante para a maioria dos jovens brasileiros pobres, pois muitos sequer completam o ensino médio, pela situação de repetência, evasão escolar e analfabetismo.
A pouca partipação sociopolítica de jovens, mulheres e famílias é enfraquecida pelos poucos espaços de reivindicação, desconhecimento dos direitos constitucionais e de políticas públicas, agregada a cultura assistencialista e pouca cooperação entre organizações locais para a mobilização social. O pouco envolvimento da sociedade em defesa e proteção dos direitos das crianças e adolescentes também contribui para a perenidade do sistema de privação no país.

 “Para ir para escola minha filha caminha 3 horas e quando alguém fica doente só Deus mesmo”.    Mulher- Comunidade Covão (MG)
 
“Fico triste com a falta de emprego para mulheres e amanhecer sem trabalho”
Mulher - Comunidade de Maria Nunes (MG)

“Fico triste com a falta de merenda e falta de capricho, a escola ta toda suja”.
12 anos Comunidade de Tombadouro (MG)

“Temos muitos professores estressados. Também não tem livro, eu gosto de ler”.
11 anos - Comunidade Vila Padre Cícero (CE)


Exclusão

A exclusão social é vivenciada pelas crianças, adolescentes e jovens nos mais diferentes espaços sociais. O país possui reflexos culturais e comportamentais evidentes de exclusão, como a discriminação em relação à renda, deficiência, racial e desigualdade de gênero, evidenciadas no mercado de trabalho, nas ocupações políticas e nas relações sociais. As crianças, de acordo com as consultas comunitárias sofrem com preconceitos e discriminação racial, principalmente no ambiente escolar.

São vítimas da exclusão quanto ao desenvolvimento cultural, pois possuem pouco ou nenhum acesso aos espaços e bens culturais. Há inexistência e insuficiência de bibliotecas, livros, acesso a informação e comunicação e espaços públicos para a prática de esporte e lazer. A própria estrutura de muitas comunidades urbanas, sufocam estes espaços. Nas comunidades rurais estes espaços são restritos à praças de igrejas locais e quadra das escolas, geralmente, em condições de precariedade.

A negação da cidadania enfrentada pelas crianças em situação de pobreza é revelada também no sistema educacional, ao serem excluídas da educação de boa qualidade, elemento fundamental para o desenvolvimento do país.

As crianças negras, pobres, nordestinas e mulheres são as principais vítimas do sistema excludente, que é fortalecido pela prevalência do individualismo ao coletivo e falta de políticas públicas inclusivas.

 “A professora não gosta de negros, ela bota a gente lá atrás”.
15 anos - Comunidade Inhaí (MG)

“Fico triste com o preconceito racial e desemprego na comunidade”.
16 anos - Comunidade Firmeza (CE)

“Fico triste com a falta de união na comunidade”.
19 anos - Comunidade Datas – Diamantina (MG)


Vulnerabilidade

Nos primeiros anos de vida, as crianças brasileiras em situação de pobreza são extremamente vulneráveis às situações de abuso e violência, insegurança alimentar, desnutrição, negligência e falta de segurança. Esses problemas são agravados pela desestrutura familiar, ausência da mulher no lar em função do trabalho externo e abandono paterno, pois os pais migram para outras regiões em busca de oportunidades de trabalho.

A principal causa de morte de crianças no Brasil é a violência, seja física, sexual ou psicológica. O ambiente familiar é um dos principais cenários de violência, quanto ao abuso sexual e violência doméstica. Na escola, crianças, adolescentes e jovens tornam-se reféns da violência física e psicológica (bullying) entre os próprios alunos e, por vezes pelos próprios professores.

As crianças também são desrespeitadas e desprotegidas quanto aos seus direitos, ao serem vítimas da exploração sexual infantil, principalmente, as meninas. Milhares ainda se encontram escravizadas pelo trabalho infantil. Violações que comprometem a saúde física, psíquica e moral de sujeitos em processo de desenvolvimento.

Violência e criminalidade andam de “mãos dadas no Brasil”, o alvo principal são as crianças, adolescentes e jovens. Extremamente vulneráveis a exposição, consumo e tráfico de drogas, também são consumidores precoces de drogas lícitas como álcool e cigarro. E o pior, o incentivo começa no próprio ambiente familiar. A criminalidade além de colocar milhares de adolescentes em situação de privação de liberdade, também ceifa a vida de milhares de jovens no país.

Adolescentes e jovens são particularmente vulneráveis à violação de seus direitos de saúde sexual e reprodutiva. As meninas ficam vulneráveis quanto à tomada de decisões em relação ao sexo, reflexo de uma cultura machista. O sexo ainda envolve coerção. Os jovens brasileiros são extremamente vulneráveis as doenças sexualmente transmissíveis devido à sexualidade precoce.

Em função da baixa renda e poucas oportunidades de trabalho, muitas meninas são forçadas a comercializarem o próprio corpo, o sexo torna-se a moeda de troca para a garantia de uma refeição, um picolé ou um biscoito. Muitas são incentivadas pelas próprias famílias a praticarem o comércio sexual.

Todo este contexto de vulnerabilidade das crianças, adolescentes e jovens brasileiros é reforçado pela falta de políticas públicas, pelos conflitos políticos partidários, corrupção e pela pouca vigilância e denúncia da sociedade em relação aos maus tratos e violação dos direitos. Outro agravante é falta de conhecimento da população em relação aos direitos e pouca mobilização social em torno do Estatuto da Criança e do Adolescente.
 
O quadro da pobreza infantil no Brasil revela um contexto desafiador. As propostas de desenvolvimento e redução das situações de privação, exclusão e vulnerabilidade de crianças, adolescentes e jovens devem considerar a complexidade e a interligação entre as causas da pobreza infanto-juvenil. Destacam-se a necessidade da garantia do direito a proteção, a educação e a participação, principalmente no ambiente familiar; o direito a qualidade do sistema educacional; e o envolvimento de uma sociedade conhecedora e defensora dos direitos da criança e do adolescente.

“Fico triste quando minha mãe sai e me deixa sozinho”
 6 anos – Comunidade Covão (MG)

“Meu pai abandonou a casa por causa da minha mãe”
7 anos - Comunidade Muriti (CE)

“Se você não é respeitado em casa, imagina o resto"
17 anos - Comunidade Mão Torta (MG)

“Eu bebo cerveja com minha mãe, eu gosto de beber”
 6 anos– Vila Padre Cícero (CE)

“Aqui na comunidade tem homem estuprado, Cabelo do Cão, eu tenho medo de brincar na rua”
 9 anos– Vila Padre Cícero (CE)

“Fico triste quando os meninos me chamam de nome feio na escola”. 6 a 15 anos - Comunidade Inhaí

A cor vermelha no desenho representa o sangue no corpo dos homens.
8  anos - Comunidade Vila Padre Cícero (CE)

“Tem muitas meninas se prostituindo, mas se engravida elas recebem o apoio da família”.
18 anos - Comunidade Vila Padre Cícero – Milagres (CE)

“A juventude na maioria das vezes não tem perspectivas, ocorrendo o uso de drogas, álcool e gravidez precoce, bem como, a comunidade não aceita a opinião dos jovens, excluindo-os”.
22 anos - Comunidade Estrela – Barbalha (CE)
 


  • No Brasil:
    • 220 mil pessoas participam dos nossos programas e projetos sociais
    • Mais de 140 mil crianças, adolescentes e jovens beneficiados
    • Mais de 90 organizações parceiras
  • No mundo:
    • 15 milhões de pessoas beneficiadas
    • Faz parte de uma rede presente em 57 países
Já é padrinho, ligue: 0300 313 0110 | Para apadrinhar, ligue: 0300 313 2003 Rua Curitiba, 689 - 5º andar - Centro - Belo Horizonte - MG - CEP 30170-120 | Telefone: +5531 3279-7400
CMS Publica